Fumagalli: o grande ídolo da atualidade no Guarani

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Fumagalli volta ao Bugre no jogo diante do Ceará

Há tempos o futebol brasileiro está carente de ídolos. Nosso último título de Copa do Mundo, 15 anos atrás, sacramentou a última safra de grandes personagens do principal esporte do planeta. Ronaldo, Cafu, Rivaldo, Kaká, Roberto Carlos e Ronaldinho Gaúcho viraram ícones de uma geração. O problema é que depois disto, ficamos reféns de atuações isoladas e de candidatos que não perpetuam. Neymar é uma exceção neste cenário.

Entre os clubes de futebol do Brasil, a situação se repete. As altas cifras oferecidas no exterior não dão tempo do jogador maturar, criar identidade com time e torcida. Os ídolos acabam sendo perecíveis. Entre uma temporada e outra, tudo muda. E quando não muda, a dinâmica expressa do futebol, em muitos casos, faz o projeto a ídolo sair do céu e chegar ao inferno em pouco tempo.

O torcedor do Guarani pode se orgulhar por ir na contramão desta tendência. Há mais de cinco anos, Fumagalli criou laços indestrutíveis com o Bugre. Antes, entre os anos 2000 e 2001, ele defendeu as cores alviverdes, mas ainda não tinha nem perto do status que tem hoje. A volta ao Brinco de Ouro foi em 2012. Ele havia acabado de disputar a série B pelo extinto Americana Futebol Clube, estava à procura de um novo desafio. Mas os problemas financeiros já enfrentados pelo Guarani naquela época o deixavam em dúvida. Mal sabia Fumagalli que a incerteza se transformaria numa das decisões mais importantes da carreira. A presença de Vadão foi um dos motivos que o convenceu atuar pelo Bugre naquele Paulistão. Dali em diante, o torcedor jamais esqueceu de Fumagalli. Um vice-campeonato Paulista e o novo ídolo despontava no Brinco de Ouro.

É certo também que depois daquela campanha histórica de 2012 Fumagalli passou por uma série de turbulências. Rebaixamento, protestos de torcedores, salários atrasados, campanhas frustrantes e até uma negociação com o Santa Cruz do Pará para melhorar a saúde financeira do clube fizeram parte da trajetória do camisa 10. Mas ele sempre esteve ali, com o apoio do torcedor e servindo de escudo em muitos casos. Nos momentos crise, ele é o escolhido para falar em nome do time. Nos treinos quando todos já desceram pro vestiário, o meia se impõe uma dose extra de abdominais. E nos momentos de substituição, por mais que o fôlego e os músculos peçam descanso, Fumagalli nunca gosta de sair antes do apito final.

A recompensa tinha que ser esta: de ídolo incondicional. E que agora está bem perto de alcançar mais uma marca histórica. Com 87 gols marcados pelo Guarani, ele está a um de se igualar a Jorge Mendonça, quarto maior artilheiro do Bugre. Tudo indica que Fumagalli é quem ficará com este posto. Ele é o cobrador oficial de faltas e pênaltis, tem um proveitamento de mais de 90% nas penalidades. E, mesmo sendo poupado de algumas partidas, ainda tem uma série B inteira pela frente. Campeonato que pode ser o último oficial da carreira do meia. Em 2017 ele faz 40 anos de idade e, apesar de não confirmar oficialmente, o ídolo já teria manifestado o desejo de terminar a trajetória no futebol no dia do aniversário e 5 de outubro. Nada confirmado. Certo mesmo é que devolver o Guarani ao Brasileiro da Série A seria o último grande trunfo do último ídolo produzido pelo Guarani.