Por Carlos Batista

O Campeonato Brasileiro com 38 rodadas é uma maratona. Exige planejamento. Nenhum time consegue disputar uma competição tão longa sem poupar alguns jogadores em algumas partidas.

As equipes que disputam duas competições simultâneas sofrem mais ainda. É o caso da Ponte Preta até uma semana atrás quando foi desclassificada pelo América-MG.

Apodi ficou fora da partida da última quarta-feira contra o Cruzeiro por causa de desgaste físico. A solicitação partiu do jogador e após um debate interno envolvendo comissão técnica e departamento de fisiologia o pedido foi aprovado.

Apodi é o único jogador de linha que realizou como titular 18 jogos de forma consecutiva. Foram 11 na Série B, 4 no Paulista e 3 na Copa do Brasil. O jogador vai completar em dezembro 34 anos.

Indubitavelmente não consegue fazer uma travessia tão desgastante sem parar em algum momento.

Todos os clubes fazem planejamento antes no início dos campeonatos.

Existem os jogos que não se podem perder – nesses casos nenhum jogador pode ser poupado -, mas outros que é possível dar folga para algum jogador mesmo sujeito a uma derrota. Foi o caso da partida de ontem contra a Raposa.

A Ponte Preta poderia vencer. Claro que sim. Mas, convenhamos o Cruzeiro é superior a Macaca em todos os compartimentos. Enfrentá-lo no Mineirão é sempre uma tarefa difícil. Portanto, se tem um jogo onde a Macaca poderia dar folga para um dos seus principais jogadores era esse.

Outra coisa é melhor dar um descanso em uma partida do que insistir na escalação sem comedimento e estourar o jogador o perdendo por dez ou doze rodadas.

O erro da Ponte Preta foi liberar o Jefferson e ficar sem reserva. Pior foi não ir ao mercado para contratar outro jogador para suprir a lacuna.

A Ponte Preta com 21 pontos dentro do G-4 faz uma ótima campanha e não pode deixar uma derrota calculada interferir no principal objetivo que é o acesso.

Parte da torcida quando ocorre uma derrota como foram os resultados contra o América-MG e Cruzeiro começam a querer achar culpados. Saem dando tiros para tudo quanto é lado. Nada presta e sobra chumbo grosso para o treinador. Se esquecem que foi esse time, com o Brigatti que ganhou 6 jogos e tem o ataque mais positivo da competição com 17 gols marcados.

Existe uma ansiedade impressionante que só seria aplacada se a Macaca ganhasse o campeonato de forma invicta. Mesmo assim alguns iriam dizer que o time jogou mal em 80% da competição.

Eu sei que uma derrota traz muitas incertezas. O ser humano tem dificuldade de conviver com a incerteza e imprevisibilidade. Sempre que aparece um revés chacoalha todas as fibras do corpo. Vem a angustia e as questões de fracassos do passado. Essas nuances contextualizadas, misturadas provocam desespero. A confiança fica reduzida e as vezes o estrago que o pessimismo corrosivo causa é maior do que a derrota em si.

Foto de Pedro Vale/Pontepress