Análise: onde está o planejamento tático dos times de Campinas?

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Créditos: Letícia Martins/Guarani Futebol Clube

texto de carlos batista

ESPEL ELEVADORES

Os times de Campinas Guarani e Ponte Preta, mesmo quando vencem, tenho a impressão que é ao acaso. Não vejo um planejamento, uma organização, um assoalho tático onde o gol é resultado de um envolvimento operacional pré-estabelecido.

O Guarani é um amontoado de jogadores, alguns com boa qualidade técnica, mas, parece que se conheceram no vestiário e o treinador ainda completou o time com alguém da arquibancada. Não tem esquema. Parece que nunca houve treino. O gol sai, às vezes e até vence ou empata o jogo. Mas, não dá confiança.

A Ponte Preta tem um problema sério de conjunto. O jogo coletivo é muito ruim. Tem alguns jogadores interessantes, com rodagem e experiência, só que não consegue juntar as peças num gabarito. Cometes falhas individuais, erros absurdos de passe que comprometem a execução do trabalho.

Estava vendo o desfile das escolas de samba e pensei na capacidade incrível de preenchimento de espaço que os carnavalescos conseguem com cerca de 4 mil componentes na avenida. Aquilo é uma beleza.

O pessoal do futebol podia contratar um carnavalesco para dar uma assessoria de como organização uma equipe para ficar bem distribuída em campo. Se eles conseguem organizar 4 mil passistas, 11 jogadores será moleza.

A organização para que as coisas aconteçam, precisa atender os principais níveis de planejamento: estratégico, tático e operacional. O treinador tem que comunicar claramente o que ele pretende e garantir que todos conheçam os seus objetivos. Se não cumprem é porque tem falha no comando.

As decisões tomadas no planejamento estratégico são de responsabilidade do técnico. Entretanto, é necessário dialogar com os comandados. Essa história de que eu mando e eles obedecem não funciona mais. Os planos de jogo são desenvolvidos pela comissão técnica, mas para a execução e decomposição do planejamento estratégico, são necessários jogadores inteligentes com profundo conhecimento do projeto, para traduzir e interpretar dentro do gramado o que foi desenvolvido na prancheta.

Para transformar o estratégico em planos concretos passa pelo setor de inteligência. Se o seu time não tiver pelo menos 4 jogadores com esse perfil, com tempo de resposta satisfatório, não vai funcionar. A montagem do elenco não poder ser aleatória. Toda equipe tem que ter o responsável por criar metas e condições e aqueles com competência e inteligência para que as ações estabelecidas no planejamento estratégico sejam atingidas.

Se não for assim tudo fica por obra do acaso.

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