A lenda do trem do Majestoso

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Atrás do Estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, existe uma ferrovia antiga da FEPASA. Diz a lenda que se o trem passar no sentido Jundiaí e apitar, a Ponte perde. Se o trem passar no sentido contrário para o centro de Campinas, a Macaca ganha. E se o trem vai para o centro e depois volta no sentido de Jundiaí, antes do jogo acabar, a Ponte empata.

De acordo com o professor José Moraes dos Santos Neto, historiador do clube, “a ferrovia faz parte da história da Ponte Preta”. A ferrovia foi construída em 1872 – 76 anos antes do estádio -, e participou ativamente da escolha do nome do bairro Ponte Preta. Isso porque a Companhia Paulista de Estradas de Ferro construiu uma ponte de madeira para ligar a passagem do Bairro Alto ao centro: uma ponte preta. Depois, ela foi substituída por um viaduto, mas ficou com o nome conhecido por todos.

Anos depois, em 1900, surgia a Associação Atlética Ponte Preta no bairro de negros, imigrantes, operários e ferroviárias. Uma equipe que nascia próximo a ferrovia, mas ainda não tinha uma casa. Moysés Lucarelli, responsável pelo futebol na ocasião – comerciante e industrial da cidade de Campinas, convenceu José Cantúsio – presidente à época – e o médico Olímpio Dias Porto a darem Cr$ 50 mil de entrada para a compra de um terreno onde seria construído o Majestoso.

A inauguração foi em 1948. Foram quatro anos com os torcedores colocando a mão na massa e construindo o estádio. E anos depois, no início da década de 60, a ferrovia ganhou uma nova função: arquibancada. Quem não tinha dinheiro para ingresso via as partidas dali – como ocorreu neste ano quando a Ponte Preta foi punida pelo SJTD -, mas só com a visão da metade do campo.

Foi na década de 60 que a lenda da linha do trem se iniciou. Um torcedor, que nunca foi identificado, passou a pedir a observação dos amigos quanto ao destino do transporte. Ele relatava que quando o trem ia para Jundiaí, a Macaca vencia, mas o caminho contrário gerava derrota ou empate. A história começou a se propagar e existe até hoje… 58 anos depois.